Terça-feira, 20 de Setembro de 2011
HISTÓRIAS DA BIBLIOTECA - I

Quando lemos um livro, utilizamos para marcar a página em que interrompemos a leitura, os mais diversos processos e objetos. Desde a dobragem da página (nada recomendável) ao papelinho rasgado de um qualquer papel, tudo vale para marcar o ponto em que ficamos na leitura.

Vem isto a propósito dos inúmeros objetos de papel, e não só, que durante o processo bibliotecário por que passa um livro, antes de ser colocado na estante da biblioteca, se encontram dentro dos livros que são ofertados à nossa Biblioteca Paroquial.

 

A poetisa Linda Martins, que viveu os últimos anos da sua vida na paróquia de Nossa Senhora de Fátima em Viana do Castelo, aí morreu e foi sepultada em jazigo próprio no cemitério Municipal, foi uma grande benemérita do "Berço" e do Centro Social, doando todo o seu património a esta instituição, incluindo o vasto espólio literário que possuía na sua casa de Lisboa.

A primeira operação que o bibliotecário faz, é verificar o estado de conservação do exemplar que tem na sua frente, folheando-o, examinando se tem folhas dobradas, soltas, descoladas, rasgadas, etc, retirando todos os corpos estranhos, como marcadores e poeiras, limpando-o com um pincel para poder passar às operações seguintes de carimbar, classificar, catalogar e etiquetar.

A razão deste «preâmbulo» prende-se com um bilhete de autocarro que encontrei num livro, dos muitos que se encontravam no acervo bibliotecário que a Linda Martins possuía, especialmente de poesia, e que muito vieram enriquecer a nossa biblioteca.


Estavamos no ano de 1970, a Linda Martins viajou do Porto para Sever do Vouga, no dia 7 de Novembro, na carreira que partia do Porto às 13.00 horas, num autocarro da empresa de camionagem da União Rodoviária do Caima, com sede em Oliveira de Azeméis, como o comprova o bilhete que encontrei num dos livros que estava a ler nesse dia e, quem sabe, talvez tenha comprado no Porto para ajudar a passar o caminho que nesse tempo levava cerca de três horas a percorrer.

Perguntarão os leitores o que fazia a poetisa por aquelas bandas? É que ela casou com um industrial do ramo automóvel de nome Joaquim Martins, natural de Sever do Vouga, que enriqueceu em Angola precisamente nesse setor de actividade, sendo nessa época o representante exclusivo da marca Toyota para aquela colónia portuguesa. Estaria provávelmente a passar férias em casa de familiares do marido, numa das muitas vezes que vinha à Metrópole com o marido em negócios e, enquanto este se ocupava nos negócios, ela aproveitava para visitar os tios no Porto que a criaram e ajudaram na infância.

São tudo conjeturas à volta de um simples bilhete de camioneta de aluguer, que ligava as vilas de Sever do Vouga, Vale de Cambra, Oliveira de Azeméis, São João da Madeira e Vila da Feira ao Porto, mas que teem grandes probabilidades de terem acontecido. 

 

Viana do Castelo, 2011-09-20

maolmar@gmail.com



publicado por biliofatima às 20:54
link do post | comentar | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Janeiro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


posts recentes

A NOSSA BIBLIOTECA

ROTARY HOMENAGEIA PADRE C...

SESSÃO ROTÁRIA

HISTÓRIAS DA BIBLIOTECA -...

HISTÓRIAS DA BIBLIOTECA -...

UM PASSO PELO BERÇO / 25 ...

FAMÍLIAS COM ROSTO III

OS IDOSOS DO CENTRO DE DI...

ALMOÇO DE NATAL DOS IDOSO...

D. ANACLETO VISITA A OBRA

arquivos

Janeiro 2012

Outubro 2011

Setembro 2011

Julho 2011

Junho 2011

Dezembro 2010

Outubro 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Janeiro 2009

Outubro 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

tags

todas as tags

as minhas fotos
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds