Sábado, 14 de Abril de 2007
Compromisso cívico para a inclusão

Realizou-se hoje em Santarém uma conferência,"Compromisso Cívico para a Inclusão",integrada no Roteiro para a Inclusão,sob a égide da Presidência da República.

 O Centro Social e Paroquial de Nª Sra. de Fátima esteve representado nessa conferência pelo Cte. Manuel de Oliveira Martins e Dra. Alcinda Ribeiro do Cat "O Berço".

Nesta conferência estiveram presentes representações de organismos governamentais, IPSS's e ONG's, num total de cerca de mil e duzentas pessoas que encheram o vasto auditório do CNEMA.

Do programa constava a inauguração da Exposição Compromisso Cívico para a Inclusão pelo Sr. Presidente da República, Prof. Dr. Aníbal Cavaco Silva. Seguiram-se os debates dos vários temas relacionados com a inclusão.

O 1º tema : Exclusão social, crescimento económico e competitividade, foi moderado pelo Dr.Rui Vilar. O Prof. Carlos Farinha Rodrigues defendeu o aspecto: Desigualdades de distribuição de rendimentos e exclusão social que foi comentado pelo Prof. Daniel Bessa.

O Prof. Augusto Mateus defendeu a Coesão Social e Competitividade que o prof. Manuel Villaverde Cabral comentou.

 Retiramos algumas notas das intervenções dos palestrantes:

Rui Vilar referiu que em seu entender existem três casos concretos de inclusão ocorridos em Portugal nos últimos 33 anos:

- Inclusão dos Portugueses oriundos das ex-colónias em consequência da descolonização - Um caso de sucesso sem paralelo a nível mundial.

- Tentativa de inclusão devido à integração Europeia de um grande número de pessoas do sector primário para o sector terciário resultante do êxodo do campo para a cidade. - Um caso de insucesso motivado pelas dificuldades de inclusão dessas pessoas.

- Fenómeno da Imigração em curso em consequência das novas comunidades. - Um caso de oportunidade que se pode tornar ou não num caso de sucesso.

O prof. Carlos Farinha Rodrigues destacou a insuficiência das políticas sociais no índice redutor da pobreza, por outro lado o prof. Daniel Bessa caracterizou a raíz das desigualdades :  - no acesso à educação; - na formação da personalidade; nos direitos/obrigações; no fracasso relativo da política de transferências.

Da brilhante intervenção do prof. Augusto Mateus saliento: "...por mais que se incrementem as políticas sociais, é importante a melhoria da competitividade para criar mais riqueza..." e mais adiante afirmou: "...é preciso transformar o necessário em possível..."

Após um curto intervalo para café a conferência continuou com o 2º tema, Como é que os cidadãos podem contribuir para a inclusão?, moderado pelo Dr. Rui Machete que antes da introdução dos oradores  teceu algumas considerações ao tema dizendo que a inclusão é um problema da sociedade e do Estado e que uma das soluções passa por um voluntariado actuante e eficaz. Deixou no ar uma pergunta da autoria de Ghandi: " o que podemos voluntáriamente fazer para resolver esta questão?"

A Dra. Isabel Jonet sobre o combate à pobreza e exclusão social, caracterizou este fenómeno como,"...uma insustentável perda de valores que se instalou na sociedade", atribuindo-o ao individualismo e materialismo reinantes. Como antídotos para combater o individualismo e materialismo indicou a solidariedade e disponibilidade. Salientou ainda o papel relevante que têm as IPSS's na resolução deste problema social.

Relativamente ao voluntariado disse que é um imperativo de cidadânia e que os voluntários são agentes promotores do desenvolvimento a quem se pede disponibilidade e dedicação.

Referindo-se às IPSS's, vincou a importância do profissionalismo em detrimento do amadorismo, devendo-se guiar por critérios de gestão idênticos às das empresas, não esquecendo a necessidade de recrutar voluntários qualificados para as ajudar nas diversas tarefas.

Rematou a sua intervenção com uma frase célebre da irmã Teresa de Calcutá, "Tudo o que não se dá perde-se e no mundo em que vivemos não faz sentido perder-se nada".

O Pe. Lino Maia traçou a história das IPSS's em número superior a 3500, constituindo o 3º sector - da Economia Social e Solidária. Salientou ainda o papel de interlocutores reconhecidos e considerados com quem o governo estabelece protocolos de desenvolvimento  e acompanhamento social.

O terceiro orador deste painel, o Dr. Marques Leandro, explanou o papel duma organização empreendedora, neste caso da ARCIL.

Intervalo para almoço muito bem servido no restaurante do CNEMA,  com uma boa organização.

À tarde mais um tema importante, Como é que as organizações podem contribuir para a inclusão? , moderado pelo Prof. Dr. Alfredo Bruto da Costa. O 1º orador foi o Dr. João Rendeiro que enumerou alguns aspectos do problema, salientando o insucesso escolar como um deles e atribuindo à escola pública um papel preponderante na desigualdade social. Representa a Associação dos Empresários pela Inclusão Social (EIS) que tem como sócio honorário o Sr. Presidente da República, realçando o exemplo de associativismoda instituição que representa e que está vocacionada para o combate ao insucesso e abandono escolar, apostando nos alunos do 3º ciclo com idades compreendidas entre os 13/15 anos.

O Poder Autárquico esteve representado pelo Dr. Fernando Ruas que na perspectiva autárquica defendeu a formação de parcerias, a subsidariedade, a participaçáo e a inovação como tarefas a desenvolver para a resolução do problema. Enalteceu o papel fundamental das IPSS's, reconhecendo o papel do voluntariado que trabalha nestas organizações e defendeu a parceria organizacional entre as instituições para elaborarem um plano de acção conjunto e coordenado com vista ao sucesso da operação.

Por último falou o Sr. Nazim Ahmad em representação da Fundação Aga Khan para o desenvolvimento que enumerou as iniciativas que integram a nível mundial, fundações, universidades , escolas de enfermagem que contribuem para o desenvolvimento das populações alvo.

O moderador, Prof. Alfredo Bruto da Costa, não pretendendo tirar conclusões das intervenções, deixou algumas reflexões:

- A pobreza é um problema de política económica,pouco adiantam as medidas redistributivas, raramente são as causas.

- Temos de rever o conceito de cidadânia e liberdade.

- O pobre é alguém que não tem condições para exercer a liberdade.

- A pobreza é uma situação de negação de direitos humanos.

- As causas da exclusão e da pobreza estão na forma como a sociedade está organizada. Ou somos capazes de modificar esta situação ou não conseguiremos nada.

- A pobreza e a exclusão são acima do mais uma repartição do poder, político, económico,social, cultural, etc..

- Comecemos a fazer uma redistribuição do poder para os que não tem nenhuma forma de poder.

 

No final de cada painel houve lugar a perguntas e respostas entre as quais salientamos:

 

Dr. Manuel Lemos, representante da Associação das Misericórdias Portuguesas perguntou: "Como é possível que 20 anos depois estamos onde começamos ou seja nos 20% depobreza?".

Dra. Manuela Eanes, do Instituto de Apoio à Criança (IAC) referiu a falta de coordenação a nível nacional nesta como noutras àreas como um dos males e apontou a necessidade do trabalho em rede.

Falaram ainda representantes das seguintes associações:

- Associação dos Deficientes das Forças Armadas

- Associação dos Doentes Crónicos

- Associação para o Desenvolvimento

FEDUARTI - Federação das Universidades da Terceira Idade com cerca de 20.000 idosos filiados.

 

Foi lançado o livro "ROTEIRO PARA A INCLUSÃO 2006" distribuído a todos os presentes, com fotografias obtidas durante o roteiro e intervenções do Sr. Presidente da República.

 

Como a viagem era longa, 320 kms até Viana do Castelo não assistimos ao encerramento, onde intervieram o Ministro do Trabalho e Seguraça Social, Vieira da Silva, O Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso e o Sr.Presidente da República que tivemos o ensejo de assistir através da televisão quando chegamos a casa.


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publicado por biliofatima às 23:40
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